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Mostrando postagens de dezembro, 2021

A Sorte

A Sorte não é uma entidade cruel. Nem mesmo é uma aleatoriedade que procura fazer o mal. Mas sim, ela é uma entidade. Cada um escolhe como lidar com ela. Ela está mais para uma Dama rígida que olha para seus súditos com desprezo. Ela não é o dado que caiu do lado errado e nem a mão ruim do poker. Nem o problema em uma relação. Nem o desentendimento no trabalho. Ela é apenas algo que se apresenta ao homem – mulher – e olha em seus olhos e espera sua resposta. Qualquer um pode olhar nos olhos dela e se tornar mais forte. Basta pensar “não sei o que ela fará, mas ela também não sabe o que farei”.  Ou pode fugir e pensar “Não sei o que ela iria fazer.” Essa mesma Dama dominadora é carente de um homem – mulher – que a domine, que saiba usá-la a seu favor. Ela não espera o óbvio dele. Sabe  que as chances estão a seu favor. O que ela espera é o homem ou mulher que a domine.  O bravo que se atreva a desafiá-la.  A pessoa que será o ponto fora da curva e a derru...

A Distância e o Silêncio

Por que você não me pergunta O que aconteceu? Ou não me conta  O que mudou? Anos e anos se amando em silêncio Por anos sem nos saber assim Por mais anos longe um do outro Mas carregando a certeza de um amor? As coisas já mudaram no passado E eu tive que engolir a seco Agora sofro sem saber o que houve Por que você não me pergunta? Eu tive que tomar decisões Não pelo meu coração Nem pelo meu desejo E nunca por luxúria Eu tinha que dar um salto no escuro Precisava de asas Precisava de sustentação E encontrei ambas Tomando decisões difíceis Até polêmicas Mas sempre mantive os dedos descruzados E pronto a tudo justificar Um homem não caminha em retidão por anos Para então tropeçar Eu sabia onde pisava E jamais deixei nossa dignidade de lado Jamais daria um passo Sem pensar se ele poderia te machucar Mas as contas vem E o homenzinho sem pais tem de arcar Daria um braço para não te ferir Daria um olho para te ver  Metade de meu coração para te entender Mas nem o H de minha honra por...

R. & J.

 Quem não quer alguém para dividir? Quem não quer ter com quem contar? Quem não quer não se sentir sozinho? Quem não quer ser amado? Mas quando Romeu e Julieta morreram Antes da primeira conta Quem se deu conta de que nem tudo são flores? Quem assumiu sua culpa? Quem baixou a guarda e abriu mão do orgulho? Quem fechou o livro E descobriu que não há conto de fadas? Houve quem quisesse mais Houve quem quisesse ser dono Dono do outro Dono de seus desejos Dono da verdade alheia Sonhar a felicidade é a parte doce Fantasiar o amor perfeito infla o peito Fingir o belo é a obra prima em si Fazer e acontecer são só a porra da parte dura Bater com a realidade dói Sentir as falhas alheias machuca Olhar para si é desnecessário Àquele que sabe sua verdade Como absoluta Você nunca quis mais poder? Tudo poder e ter sua própria lei? Você nunca sentiu o poder te embriagar Antes de te corroer? Corpos nus sob lençóis nunca machucam Até que sejam vistos Marcas ficam para sempre Não por marcarem Mas po...

Pathé de cabelos curtos

Pathé agradecia por usar um corte curto de cabelo. Facilitava colocar o capacete de oxigênio. A  deixava mais livre. A caverna era quente e escura. Roccie estava caído, desmaiado, dois níveis abaixo. Seu rádio handset não parava de apitar sinais de aviso. E por cima ainda havia a voz de Madaleine. - Sai daí. O ar é tóxico. Os níveis de radiação estão aumentando. - Mada, meu marido está aqui. Eu vou tira-lo a qualquer custo. - Você é idiota? Você não tem oxigênio pra chegar até ele. Na verdade você tem, mas não o suficiente para vocês voltarem. - Mada, como foi dormir com meu marido? Madaleine gelou. - Eu não sabia que vocês estavam saindo. - Saindo? Estávamos nos casando. Você é que estava saindo com ele. Madaleine se perdeu em seus pensamentos. Sentira algo por Roccie, já tivera amizade e confidencialidade com Pathé. Mas aquele momento era extremamente único. Queria apenas se concentrar nos detalhes técnicos para salvar Roccie. Queria não pensar na traição. - ...
Fragilidade Ou o dia em que Robinson fez uma analogia Pense como é curioso o momento em que você pensa em alguém. Sua primeira impressão é que você está invadindo o espaço de outra pessoa. A espreitando. Pobre engano. Você acabou de ser invadido pelo outro ser. É só comparar com computadores e internet: - Amor, digitei google.com e entrei em um site! Não não... não é assim que funciona. Você digitou o nome do site e ele foi chamado a entrar em seu computador. É inusitado. Quando se digita um site, você não entra nele. Ele é convidado a entrar em seu computador. E esse troço que alguns chamam de amor é a mesma coisa. É um caminho unilateral, infelizmente. Bom, não podia ser diferente. Se você ama alguém, quer esperar que esse alguém te ame também? Boa sorte. Pense em Jesus amando um de seus quaisquer filhos – sou ateu mas isso não me impede a comparação – e que mais que ele lhe deseje o bem, ele sequer lhe agradece. Amor funciona assim. De forma unilateral. Você pode am...

Pathé na Sibéria

Pathé na Sibéria Pathé está em seu caça a jato. O céu está escuro, mas a sua esquerda ela vê o sol começar a despontar. Olhou a sua direita. Vira a aurora boreal a poucos segundos. Não estava mais lá. Em seu íntimo, guardara que aquela era a imagem mais bonita que já vira. Havia rumores de que o leste da Sibéria abrigava um enorme arsenal chinês. Bombas termo nucleares e ogivas de matéria escura. Pathé sabia que jamais a autorizariam ir até lá. Acabou resolvendo que iria sozinha, por sua própria conta. Pousou o caça em uma área desabitada, na vertical, as escuras. Desceu da nave em silêncio. Ao pisar na terra, sentiu-a macia. Parecia mais mole do que a terra de São Paulo. Umidade, talvez. Ligou a câmera infravermelho e disse: - Me chamo Pathé. Estou em território Russo, procuro uma base que talvez esconda armamentos. Não a incomodava mais enxergar tudo em tons de verde escuro. Correu em direção à uma edificação. Era um hangar. Abriu seu portão corrediço, empurrando-o com...

A Arma e a Ferida

É sempre a mesma história Um ir e vir Um repetir infinito quase tedioso O desejar e o perder A esperança e o cair de joelhos Mas desta cena teu nome não passará Meus novos amigos não saberão de você Eu nunca saberei se desviei da bala Ou se fui eu quem atirou Mas está em minhas mãos curar minha ferida E selar teu nome de nova pronúncia Doeu, chorei, sofri Caí de joelhos e me levantei Mas eu não deixarei o filme passar novamente Teu nome não estará nos créditos Um qualquer se deixaria enganar pelo destino E fazer outra pessoa sofrer em troca Mas agora eu sei curar minhas feridas Encontro alívio levando alívio a outros Eu aprendi a dar o que você não tem Minha ira não recairá sobre inocentes Ela vai apenas descer arrasadora sobre seu nome Para apagá-lo Gastarei toda minha energia para que ele suma dos registros Apenas um momento deletado Sem glória e sem vergonha E por mais que eu nunca saiba se desviei da bala ou se atirei Sei que não repetirei seu erro Por mais que eu saiba fazer isso ...