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Eventualidades

    Alguns momentos que ocorrem são tão raros, guardam alguma magia e tão poucos tem a oportunidade de por eles passar...    Ver uma estrela cadente, por exemplo: eu jamais vi uma que seja. O brilho no olhar de alguém que acabou de ver isso - esse evento já presenciei diversas vezes - me dizem que deve ser muito especial, algo do gênero que se grava em nossa memória e que pode até reaparecer em sonhos.    Ir à um circo! Imagine-se uma criança de 10 anos indo à um daqueles extintos circos itinerantes. Ver um palhaço te tirar uma risada só de fazer suas calças caírem. Deve impregnar a alma para sempre...    Ver uma criança nascendo! Tirando se você for um obstetra no centésimo parto, acho que nem importa muito que seja seu filho. Aquilo provavelmente marca de forma indelével sua mente.    São momentos que, se soubermos aproveitar, podem servir até de alento em momentos difíceis. Pensa: você está passando por um momento super bad, mas tem a...

A Música Parou

 Foi assim que o baile acabou e o salão se esvaziou quando a música acabou. O que era uma dança virou solidão, o que eram sussurros ao pé do ouvido viraram silêncio e o que era sorriso virou uma máscara. Uma máscara velha e muito bem feita, que a todos engana. Mas não engana a mim, que tenho que lidar com o sujeito atrás dela. Mas a música parou! E o que era um salão de baile virou um picadeiro de circo abandonado e mal iluminado, com um velho palhaço em seu centro, observando cadeiras vazias com uma maquiagem fria de sorriso forçado, enquanto por trás impera uma tristeza parada no tempo. Ele olha para as cadeiras vazias procurando platéia? Não. Ele procura pela arlequina que com ele dançava. Não fazia mal que ele não pudesse a tocar ou ver, mas o machucava muito que... ... a música havia parado! De forma trágica, feia, horrenda e difícil de entender. Agora o palhaço parapatético anda pelo palco, em busca de nada. Ele já não quer encontrar algo. Ele já perdeu o que queria. A alegri...

Pendente Amor Trágico

 Eu observo o andar da vida das pessoas e faço uma anotação especial sobre algumas: se ela é meramente "pós adolescente" na forma de se relacionar amorosamente ou se já é "adulta". Ambas tem seus sofrimentos e benefícios. Mas o que eu diferencio nelas é a casca ao redor do coração. As pessoas "pós adolescentes" tendem a gostar muito da outra pessoa e a sofrer demais quando terminam. Não há casca alguma. As pessoas "adultas" tendem a tomar mais cuidado para não se apaixonarem por alguém. Ficam em relações banais e superficiais e procuram se afastar se a coisa ameaça ficar séria. Há a tal casca. As duas tem suas razões para se portarem como se portam e isso não é novidade: Os pós adolescentes sentem diversas emoções pela primeira vez. Boas e ruins. Com o tempo, se sofrem muitas vezes, a casca ao redor do coração começa a se formar. Mas não é sobre isso que eu quero falar. É apenas o preâmbulo para explicar como me sinto. Criei a tal casca já tem mu...

Aprendendo a Viver

 Assim segue a alegria, a tristeza, a dor e o prazer. Você se descobre individual. Querer algo faz parte. Lutar por ela também. Mas saber viver sem... também. Não haverá o dia em que você terá que abdicar de tudo? Um dia teus olhos podem te faltar, e você terá que aprender a viver sem eles. Um dia você pode ficar entrevado em uma cama, sem poder mover pernas e braços. Mas poderá pensar a respeito disso. E se você digerir o que está ocorrendo, poderá saber viver com isso. Um dia alguém amado pode te faltar. E como não sabemos que esse dia pode chegar, não é?! Porque se encontramos o amor verdadeiro, das duas uma: ou partimos antes, ou partimos depois. Mas uma coisa é certa: se o amor era verdadeiro de um dos lados, esse lado sentirá falta. E terá que saber lidar com isso. Venho passando aos poucos pelos três exemplos acima. E sabe? Não é tão horrível assim. Assim como pode-se achar método e sentido até na loucura, pode-se encontrar regozijo na dor e desesperança. Novos dias vem e vã...

Os Trovadores

Os Trovadores Um casal tão bobo. Tonto. Bobos da corte. Sempre rindo e fazendo graças. Se pregando peças, sustos e beijos. Duas crianças fazendo ciranda como se nada mais existisse ao redor. Se jogam água, se empurram, se batem e estapeiam. Dois infantis esperando a distração alheia para lhe enfiar um dedo babento no ouvido, pular em suas costas ou falar com intimidade sobre seu par. Pensam que estão no ortodontista e não param de mostras seus sorrisos o tempo todo. Bobo. Boba. Qualquer um que jogue truco ou poker por um tempo entende a ler sinais. Sabe o que um leve piscar de seu companheiro quer dizer. Sabe como passar um sinal com um leve gesto de dedos, com um frio movimento das mãos sobre a mesa, com uma leve erguida do fundo do baralho. Mas entender o que o outro pensa apenas com um olhar nos olhos... Apenas um olhar nos olhos... sem piscar, sem movimentos, sem franzir o cenho, e ainda assim compreender,  e se sentir compreendido... Isso poucos sabem fazer,...

O Juízo Legítimo

Gelo, gelo e gelo. Um mundo todo feito de gelo. Nenhum homem ou mulher sobrevivera ao holocausto. Apenas alguns animais. Aural, uma coelha pequena, nasceu e  foi renegada pelos pais coelhos. A mãe coelha vivia preocupada com a páscoa e o pai, bom, ele não aparecia mais. E ela viveu sozinha. Não conhecia muito outros seres, mas sabia que era uma coelha. E decidiu ser uma boa coelha. Passou a viver em comunidade com outros coelhos e coelhas. Juntos formaram uma sociedade. Cultivavam cenouras, criavam tocas e faziam mais coelhinhos. Mas Aural queria conhecer mais o mundo. Em um dia muito gélido, resolveu conhecer Eti, uma parte da floresta em que ninguém ia. Poucos minutos após entrar nela, ouviu um rosnado. Olhou para trás e viu um grande urso pardo. Ambos correram. A coelhinha sabia que era menos veloz. Desviava de caminho para despistar o urso. Neve espirrava das patas de ambos. Ela entendia que tinha entrado em um território que não era dela e tinha que sair dali. Mas a...

Um lugar chamado Entropia

Um lugar chamado Entropia. Um reino escondido, esquecido no tempo. Com florestas com cores que iam de rosa a verde. O ar estava sempre com uma camada de névoa. Fresca, reconfortante. Para qualquer lado que se olhasse, havia esse ar úmido. Agradável. Ali havia uma amanhecer eterno. Não havia meio dia, não havia noite. Aural nunca se esquecia como gostava de encontrar o Sr. R naquele lugar. Os dias eram lindos. Mas aquele dia não era um bom dia. Há algumas coisas a explicar sobre o reino de Entropia. Ele não é lindo por inteiro. Ele tem um subsolo. Um lugar cheio de cavernas e túneis, local para onde toda a sujeira fora varrida e escondida. Para lá, um dia, foi varrido um dragão chamado Ucrem. Era um dragão doente, não conseguia exalar chamas. Ele apenas exalava um ar venenoso, que matava a todos em questão de minutos. A partir de então, ele passou andar pelos túneis, preso por dois soldados com máscaras. Ele não tinha mais vontade própria. Apenas os obedecia. Todos os moradores d...