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Mostrando postagens de novembro, 2023

O Senhor Flávio

 Apenas com os dedos Musicar eleva a alma Depura os medos Encanta e acalma Ouvir a voz do cantor Nos faz se transportar Ouvimos nossa dor E a mesma dor transbordar E mesmo em choro Não é um mergulhar Não é apenas um adorno É um encontro no ar Um canto não é recanto Um cantor não é um à toa É ele quem atua É ele quem encanta

Mãe é mãe...

 Acredito que toda família tenha uma música que é uma espécie de hino. Sempre baseado na mãe. Mãe é mãe. A nossa tem um nome especial. Miriam. Miriã. A mulher que colocou Moisés em um berço, no rio Nilo, para que ele sobrevivesse. Depois ele ascendeu a príncipe. Se negou a ser rei. Causou a revolta e fuga dos Judeus. Depois de 40 anos no deserto liderando seu povo, chegou a Terra Prometida. ... e então fez de volta todo o caminho sozinho. Para ver novamente o rosto da mulher que mais o importava. A que lhe fazia derramar lágrimas. A mulher chamada Miriam ou Miriã tem um fardo mais pesado. Elas colocam homens mais fortes no mundo. Homens que lideram por inteligência, porrada ou força de decreto. Mas ela e seus filhos sabiam disso desde o início. "O jeito é lutar. Mesmo que você  perca. Você está à 40 anos no deserto. Eu estou o dobro. Você acha que não me dói? Eu não vou parar. E você?'" Mãe é mãe...

Batidas

 Eu destruí barreiras. Eu enganei sistemas. Eu conduzi hordas. E caí de cara no chão. Vi a morte de perto tantas vezes que já não a temo mais. Caí e caí no mar... Meu reino divino e odiado. Continua...

O Banguela da Cela

 Estava com 62 anos. Preso fazia 5. Acordei ouvindo os guardas batendo os cacetetes nas grades e uma sirene ao fundo. Me virei para o lado e coloquei a mão para baixO do beliche. Queria conferir se J. estava vivo. Ainda estavamos com sangue nos cantos das bocas. A noite não tinha sido tranquila. A porta da cela abriu. Quatro presos entraram. Me joguei para o chão. O barulho acordou meu parceiro. Mas ele ainda estava endomecido. Derrubei dois com um soco cada. O terceiro me agarrou pelo pescoço. Demorei mais de dez segundos para quebrar o braço dele. Olhei para o lado e vi J. esmurrando o quarto. Me sentei no chão e respirei profundo.  Alívio. Entraram três guardas. Me levantei e quebrei o nariz do primeiro. O segundo avançou com o cacetete em minha direção e foi retido pelo terceiro. - Não toca nele. - Você viu o que ele fez com o W. ?!!! - Você não sabe quem é ele. - É um presidiário vagabundo!... J. estava com uma escova de dentes lixada no pescoço do guarda antes que ele so...